Quando se fala em Fertilização in Vitro (FIV), muitas pessoas se sentem perdidas entre informações contraditórias, histórias de amigas e conteúdos da internet. É normal se perguntar: “Será que isso realmente funciona para mim?”
A FIV é uma técnica avançada, mas cheia de mitos que podem gerar ansiedade e frustração. Vamos esclarecer os principais, com base científica, empatia e relatos que aproximam você da realidade.
Um dos maiores mitos é que a FIV garante a gravidez.
A verdade: a FIV aumenta muito as chances, mas não existe garantia absoluta. Cada ciclo depende de fatores como:
– Idade da mulher
– Qualidade dos óvulos e espermatozoides
– Saúde do útero
– Condições médicas associadas (SOP, endometriose, trombofilias)
“Quando comecei a FIV, tinha medo de que não desse certo. Saber que existe chance, mas não garantia, me preparou emocionalmente.” — Juliana, 35 anos
Referência: American Society for Reproductive Medicine (ASRM), 2023.
Algumas clínicas oferecem seleção de embriões com técnicas genéticas (PGT-A).
Porém, na maioria dos casos, a FIV não permite escolher o sexo legalmente, exceto em situações médicas específicas (evitar doenças ligadas ao sexo).
Resumo: a escolha do sexo é limitada e não faz parte da rotina de FIV.
Outro mito comum: todos os bebês de FIV são gêmeos.
Na realidade:
– A chance de gêmeos depende do número de embriões transferidos.
– A tendência moderna é transferir um único embrião (SET), para reduzir riscos maternos e neonatais.
– Transferir dois embriões (DET) é indicado apenas em situações específicas, avaliadas pelo médico.
“Queria um bebê, mas tinha medo de engravidar de gêmeos. A orientação médica me ajudou a entender que hoje a FIV segura bem a transferência única.” — Carolina, 32 anos
Referência: ESHRE Guidelines, 2022.
O relógio biológico é real. A qualidade dos óvulos cai progressivamente após os 32–33 anos, e mais rapidamente depois dos 37–38. Isso impacta diretamente:
– Taxa de implantação
– Chances de gravidez
– Necessidade de técnicas complementares (PGT-A, óvulos doados)
Dica: quanto mais cedo a FIV for realizada, maiores as chances de sucesso com óvulos próprios.
A FIV permite monitoramento detalhado dos embriões, incluindo:
– Desenvolvimento até o estágio de blastocisto
– Seleção de embriões mais viáveis
– Possibilidade de testes genéticos
Isso não garante sucesso absoluto, mas aumenta significativamente as chances.
Não é necessário começar pela FIV em todos os casos. Indicações típicas:
– Trompas bloqueadas ou ausentes
– Endometriose moderada ou grave
– Baixa reserva ovariana
– Alterações severas no espermatozoide
– Falhas repetidas de inseminação
– Idade materna acima de 37 anos
Para outros casos, a inseminação artificial ou ajustes menos invasivos podem ser o primeiro passo.
Não. A resposta depende de idade, saúde reprodutiva e histórico médico.
Só se forem transferidos múltiplos embriões. A prática atual prioriza embrião único.
Em situações comuns, não. Apenas exames genéticos específicos, por motivos médicos, permitem isso.
Sim. A qualidade dos óvulos diminui com a idade, impactando as chances de sucesso.
Se você está considerando a FIV, marcar uma consulta especializada é o primeiro passo. Cada histórico médico é único, e a decisão deve ser individualizada, sempre com orientação profissional.
Referências:
• ASRM (2023) – Fertility & Sterility, “In Vitro Fertilization: Guidelines”.
• ESHRE (2022) – “Guidelines on Assisted Reproductive Technology”.
• HFEA (2023) – “Understanding IVF Success Rates”.